quinta-feira, 26 de outubro de 2006

TPM


Fala-se, hoje em dia, de mulheres que trabalham juntas ou moram juntas, que acabam por menstruar nos mesmos dias. Isso acontecia com certeza, antigamente, onde as mulheres de tribos primitivas, sangravam todas juntas e se recolhiam em local próprio para elas, chamado “Templo da Lua”. O uso do nome templo era associado à característica sagrada do sangue: enquanto havia sangue, havia vida; numa pessoa morta, cessava o sangue; e paradoxalmente, ou melhor, misteriosamente, quando a mulher gestava ou amamentava, o sangue também cessava. Dono da vida e da morte, o sangue era sagrado!

As mulheres sangravam, geralmente, nas noites de lua escura, lua negra, ou lua nova, os céus mais noturnos e escuros. Seguiam para o templo da lua e lá ficavam isoladas dos homens e crianças da tribo, sentindo intensamente as transformações dos seus corpos e tendo revelações dos mistérios divinos das deusas.

A Psicologia Analítica, que trabalha com símbolos, metáforas e mitos, também acredita que esses tempos de menstruação são momentos de introspecção, inspiradores a mulher entrar em contato com a sua escuridão, a sua sombra criativa, o seu inconsciente, o seu eu mais profundo. São momentos de Insights!

Entretanto, para muitas mulheres que nunca páram, esse recolhimento só poderia ser vivenciado no grito – e o corpo grita de dores, de cólicas, de enxaquecas, que as colocam na cama, nem que seja para conectarem-se, com o próprio inconsciente, dopadas (remédios para dores) e sonhando (dormindo).

Para outras mulheres, que até se permitem viver a menstruação com quietude, o fazem porém com sentimentos de solidão, desamparo e abandono, aumentando a procura de amor e segurança no outro, geralmente seu parceiro, companheiro, namorado, marido. Ainda não se permitem, no amor próprio, encontrarem a plenitude feminina.

Para outras poucas mulheres, mais preparadas ou mais experientes e crentes do processo, menstruar é tempo oportuno de ficarem entregues as próprias e essenciais verdades, confiantes e tranqüilas, conhecendo sobre os segredos de sua alma feminina e ativando os potenciais psíquicos e espirituais de cura e força vital.
O antigo tempo da lua, no templo da lua, divinizava o sangue, a mulher, o feminino, o inconsciente, a alma. Promovia o encontro transcendental do humano e do divino da mulher.

Infelizmente, a maioria das mulheres recebe a menstruação, como algo que precisa acontecer rapidamente, pois é incômoda, dolorosa, suja e inconveniente, e o único sentido é de garantir (para quem não está desejando) que aquele mês não se está grávida.

MULHERES, menstruar é descamar as paredes internas do feminino, onde o velho infrutificado escoa e o novo em potencial renasce! Assim, o que há em você, nos seus sentimentos, pensamentos e comportamentos que precisam ser modificados? O que de antigo e infrutífero precisa dar espaço para o novo? Você realmente ama o processo natural de vida e confia no seu poder interior, a ponto de se entregar a toda sorte e tipo de insight, intuição ou adivinhação, seja qual for o nome que queira dar? Está aberta para as suas dificuldades que necessitam de outras atitudes, que a levem a criar algo novo, transformando-na em uma nova mulher? Está disponível para se permitir sair do controle e se entregar para aquilo que socialmente foi domesticado? Quanto de você deseja conhecer a força interna que possui e a sua conseqüente responsabilidade?

Na sua próxima regra, desejo que a única regra que obedeça é a de não obedecer a regras, estando só consigo mesma, sentindo e intuindo!

Fernanda Matos

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