sexta-feira, 20 de abril de 2007

O Mandala


O Mandala é um símbolo arquetípico e significa círculo, particularmente, círculo mágico. Foi difundido, principalmente, no Oriente e sempre serviu de elemento integrador entre a realidade aparente e as esferas divinas, de elemento condutor à iluminação daquele que a contempla.

O desenho mandálico mais antigo é a Roda do Sol paleolítica, fonte de vida, luz e calor, que representa o eterno no tempo e no espaço. De uma maneira geral, o mandala é sempre visto associado a um Deus, a uma situação de poder e transcendência, ao céu e ao espírito, reintegrando o eu ao todo e o todo ao eu.

Historicamente o mandala aparece em várias formas, crenças e culturas. No extremo oriente, apareceu cerca de 3.000 anos a.C., em forma de suástica, uma cruz dentro de um círculo; na Mesopotâmia, surgiu enquanto roda em 2.300 anos a.C.; no Zen-budismo, representa a perfeição humana, a total harmonia e iluminação do homem; na Cabala, é desenhado o círculo dentro de um quadrado que expressa a força do transcendente, a energia divina, oculta na matéria; no livro sagrado dos magos é utilizado como proteção das energias externas; no tarô, é a carta da Roda da Fortuna e fala sobre o movimento e a estabilidade, a transitoriedade e a transcendência; na Índia, são encontrados os Yantras, como o Sri Yantra, que são mandalas geométricas representando tanto divindades como o caminho do devoto.

Os mandalas também se difundiram entre nós ocidentais. A Idade média é rica em mandalas cristãos. Em geral, Cristo é representado no centro e os quatro evangelistas nos pontos cardeais. As rosáceas e abóbodas das igrejas e auréolas que aparecem nas imagens dos santos são mandalas cristãos. Na Grécia, o Uruboros, símbolo da serpente que engole a própria cauda é um mandala que remete à idéia do ciclo eterno das leis universais.

E são diversos os exemplos e culturas que trazem seus círculos mágicos. E isso está em tudo, na criação do mundo e dos homens, na natureza, no cosmo, a célula, o embrião, as sementes, as flores, os planetas, a Lua e o SOL.

Dentro da psicoterapia, a prática do mandala vem auxiliar o processo de autoconhecimento e individuação, não só pelo fato da ação em si de pintar, mas também pelo fato de fazer com que o paciente, com toda a paciência e confiança no processo, torne-se atuante ao desenhar e mais ainda, porque ao desenhar promove-se:
             - a tradução do indizível de seu mundo mais íntimo, de sua alma, em formas visíveis;
             - a libertação ou no mínimo a expressão de estados psíquicos diversos;
             - a contemplação cuidadosa e constante de todos os seus detalhes;
             - a percepção do seu eu como objeto do seu self, centro que atua dentro de si;
             - a arte de pintar de dentro para fora;
             - e, promove mais que o saber, o próprio VIVER.

Tudo isso acontece, pois nos é lícito acreditar que os feitos pictóricos provenham de regiões típicas, arquetípicas da alma, da psique, do inconsciente coletivo e do inconsciente pessoal. São imagens e símbolos que brotam de uma necessidade natural da psique em se expressar e se conectar com o mundo consciente.

Apesar de em qualquer trabalho simbólico (sonhos, imaginação ativa, caixa de areia, argila, etc... mandala), a alma que ali trabalha ter as suas próprias leis, a atividade meramente pictórica, em si, pode precisar das palavras, podendo ser necessária a compreensão também intelectual e emocional, a fim de integrá-la ao consciente.

Mandala,
MAN – DALA,
essência de si mesmo.
Um círculo que promove o encontro da criação com o criador,
onde você é a criação
e seu mandala, o criador.
Um espaço sagrado que permite a você reconhecer a sua alma,
nos seus aspectos mais profundos,
psicodinâmicos, perinatais e transpessoais,
passeando pelos tempos, passado, presente e futuro.
Um resgate do seu tesouro interior,
com seus desejos, seus medos,
seus Eu´s (consciente, inconsciente, ego e self).

Assim, faz-se o convite de adentrarmos juntos esse mundo tão complexo, tão divino, tão simples e tão humano, que somos cada um de nós: Vamos fazer MANDALAS!

Fernanda Matos
Texto publicado na Revista Terceiro Milênio

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