quarta-feira, 26 de março de 2008

Coincidência? Sinais? ou Sincronicidade?


Você é o tipo de pessoa que acredita em coincidências, que sempre existe uma razão para as coisas acontecerem? Ou você acredita que as coincidências fazem parte de um destino pré-definido, que existem pois tinham que existir, e portanto, não são coincidências, mas sinais!

Tudo realmente tem que ter uma explicação lógica de causa e efeito, ou coisas podem acontecer ao acaso, ´acausais´?

Quantas vezes aconteceu de você estar pensando numa pessoa e ela telefonar para você? Já lhe aconteceu de inesperadamente você lembrar de uma pessoa que há muito não via, e encontrar com ela sem mais nem menos na rua? Você já teve a experiência de algo aparentemente ruim acontecendo com você, mas que na verdade estaria lhe promovendo o não acontecimento de algo pior ainda? E quando você não sabe que caminho seguir, e o vento lhe traz uma propaganda de um local interessante... Daí, você viaja para um lugar bem distante, pouco procurado pelos turistas convencionais, com uma cultura exótica e bem diferente, e de repente, escuta o seu nome, vira na direção desse chamado e reconhece a sua vizinha, aquela que só lhe cumprimentava nos elevadores, mas que você sempre desejou conhecer melhor... E quando de repente, cansada da vida cotidiana, descrente do amor, resolve tirar férias numa fazenda calma e escondida, longe de tudo e de todos, e do nada aparece aquele homem, seu mais novo amor... E quando cansado do trabalho que faz, porém sem visualizar outra vida, resolve desabafar com um amigo, que tem uma amiga de um outro amigo, que tem uma empresa que trabalha e precisa de alguém como você...

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, que deixou o legado da psicologia analítica, também chamada de psicologia junguiana, promoveu uma série de estudos sobre acontecimentos que a mente racional e a ciência não alcançam, as ceticamente ditas coincidências, ou para os místicos (místicos na verdadeira acepção da palavra, àqueles que buscam a ´religação´ da vida material com a espiritual) os benditos sinais. Jung, tentando integrar esses dois opostos pensamentos, batizou esses eventos de "coincidência significativa" até a definição concreta do conceito de sincronicidade.

Assim, sincronicidade é a experiência de se ter dois ou mais eventos que coincidem de uma maneira relevante para as pessoas que vivenciaram essa "coincidência significativa", onde esse significado não pode ser justificado por uma relação de causa e efeito. É um conceito empírico que surge para tentar dar conta daquilo que foge à explicação científica convencional, muito questionada pela física moderna que tornou relativa a validade das leis naturais, afirmando que a causalidade é um princípio válido apenas estatisticamente e não contempla os fenômenos raros e aleatórios.

Sincronicidade pode ser considerada, então, como uma coincidência, um conteúdo inesperado, uma simultaneidade, no tempo e no espaço, de dois ou vários acontecimentos, sem relação causal mas com o mesmo conteúdo significativo. Diferentemente do princípio da causalidade que afirma a necessidade da conexão entre a causa e o efeito, o princípio da sincronicidade confirma que os termos de uma coincidência significativa são ligados pela simultaneidade e pelo significado.

O evento sincronístico é o surgimento de algo inteiramente novo, não passível de investigação laboratorial, pois é imprevisível, não pode ser repetido, é espontâneo! Assim como também é espontânea e reveladora a sua compreensão!

Aí então fica a pergunta: Você é espontâneo o suficiente para receber, ver, enxergar os acontecimentos espontâneos (sincrônicos), os sinais que podem lhe abrir novos encontros, caminhos, experiências, uma nova vida? Ou você é o tipo de pessoa que olha sempre as mesmas coisas e da mesma forma, rigidamente, pragmaticamente, descrente do que não é racionalmente comprovado, vivendo a sua vida rotineiramente, acomodadamente, controladoramente, porém sem as grandes emoções dos grandes mistérios entre os céus e a terra... do inexplicável mundo das coincidências... dos sinais... das sincronicidades?

Fernanda Matos

Nenhum comentário:

Postar um comentário