terça-feira, 3 de junho de 2008

A Textura da Ternura


Ternura, qualidade de quem é terno; meiguice, carinho, afeto brando...
Textura, tecido, trama, contextura...

Ternura, esquecida, escondida, pouco tramada, pouco tecida. As crianças e as vovós a tecem com mais freqüência, mas quantos consideram-na sinal de fraqueza? Quantos de nós estamos endurecidos, feridos e protegidos. Fazendo-nos distantes, “engrossamos” a textura de nossas peles, para que não nos troquem, para que não nos toquem, e vestimo-nos de ternos pouco ternos, de tecidos de ferro, de armaduras, de armas duras... e nelas nos aprisionamos, não nos tocamos e não tocamos.

Quanta ternura há em seu coração? Quanta ternura há em suas mãos? Quantos de nós guardamos nossa ternura em nossos corações, porque ela escorrega entre nossas mãos?

“Temos medo de senti-la. O adulto principalmente. Como conseguir que ela seja avaliada? Pensei que, se enchêssemos bexigas coloridas, não muito pequenas, poderíamos fazer uso delas por sua textura; como se nós, ao acaricia-las, pudéssemos confiar-lhes essa parte escondida que se chama ternura?” (Maria fux, Depois da Queda... Dançaterapia!, 2001)

Foi assim, que Maria Fux ensinou sentir com as mãos a textura da ternura de nossos corações. Com sua terna voz, junta a voz de Bárbara Streisand, conduziu o grupo ao encontro com a suavidade e leveza da bexiga. Pediu-lhes que dançassem com os balões livremente, tocando-os, aproximando-os e afastando-os do corpo, deixando-os voar por perto e por dentro, sentindo um novo estado emocional penetrando na pele, pela pele da bexiga, pela sua textura, pela sua ternura. E pela sua ternura, pediu-lhes que tocassem o outro através da textura da bexiga, passando-as mansamente ao corpo do outro, a bexiga e a ternura.

“A ternura mistura-se à doçura, porque... porque a ternura certamente tem textura! É suavidade de forma, a redondeza que talvez nos lembre do ventre materno – sem fazer nenhuma interpretação – ou a forma de alguém de quem gostamos e não nos atrevemos a tocar.” (Maria fux, Depois da Queda... Dançaterapia!, 2001)

A dançaterapia é o dançar para tecer novas tramas. Tramas, tecidos, texturas, ternuras que existem em nossos corações, ao alcance de nossas mãos.

DANCE, TOQUE, TEÇA E SEJA!

Fernanda Matos
Publicado na Revista Terceiro Milênio

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