terça-feira, 3 de junho de 2008

Dança de Casal


Um Encontro Entre O Homem E A Mulher Que Existem Em Nós

Quem já não viu um belo e sedutor show de tango, um casal dançando um samba de gafieira sensual e fogoso, um romântico bolero a dois, ou um orgulhoso pai dançando com sua pueril filha em seus quinze anos uma clássica e suave valsa? Quem já não dançou um tango, um samba, um bolero, uma valsa a dois? Não é lindo ver e sentir os corpos rodando pelo salão, como se fossem espíritos levitando pelo ar, graciosos, leves, esvoaçantes, como duas asas de uma mesma borboleta?

São dois dançando juntos, como se nada no mundo importasse, a não ser um para o outro, a música e os passos. Passos bem sentidos, discernidos, aceitos, trocados, conhecidos, pois ambos conhecem os seus papéis.

Os papéis daquele que dança enquanto homem são de guiar com segurança, indicando os caminhos com as próprias mãos; de apoiar o peso dos corpos e do movimento em seus joelhos e pés, pois os têm flexíveis, porém firmes; e de se conectar com o ritmo da música.

Os papéis daquela que dança enquanto mulher são de compreender os sinais dados pelo o outro; de permitir o seu corpo ser apoiado, com leveza e elegância conseqüente da confiança, entrega, apoderamento e liberdade; e de se conectar com o ritmo escolhido.

Ao casal, a todo instante, cabe criar a harmonia e a beleza do encontro do masculino e do feminino que dançam juntos, a cada tempo, o mesmo ritmo.

A dança de casal é só uma outra configuração da dança de cada ser humano enquanto indivíduo. Indivíduo, indiviso, não dividido! Todos os seus lados unidos, todos os opostos, o masculino e o feminino bailando como UM.

“Sempre achei e senti que todos nós temos essas duas forças, contrastantes, mas que devem viver em plenitude... se somos feminino e masculino em nosso interior, por que não utilizarmos toda essa variedade que nos pertence?” (Maria Fux, Depois da Queda... Dançaterapia!, 2001)

Através da música, Maria Fux, ofereceu a vivência dessas partes, masculino e feminino, em cada indivíduo dançante. Escolheu um músico, percussionista, africano, de voz grave, vigorosa, enérgica, intensa e viril. E escolheu uma cantora de voz sedutora, delicada, confiante e segura.

Todo o grupo sentiu em si as próprias mãos, que ora guiam, ora se entregam, e traduziram isso nos movimentos entrelaçando-os, unindo-os, integrando-os.

A dançaterapia é o dançar para encontrar os parceiros invisíveis. O homem que existe em toda mulher; a mulher que existe em todo homem.

DANCE, TROQUE E RELIGUE-SE!

Fernanda Matos
Publicado na Revista terceiro Milênio

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