sexta-feira, 9 de julho de 2010

Escutar você...


Ver você (é): tão prazerozo.
Falar com você (é): tão curioso.
Escutar você (é): tão talentoso.
Algumas vezes não sei o que escuto,
Outras vezes não quero entender o que escuto,
Porque nessas vezes, no fundo, eu sei o que escuto:
eu falhei.
Erro
porque desaprendi a ser livre,
porque repito o que me ‘desensinaram’...
Erro
porque fui mandada demais,
porque fui obediente demais..
Erro
porque entendi que um dia é dia de obedecer,
porque noutro dia é dia de mandar...
Erro
porque sou humana,
porque sou desumana...
Algumas vezes eu sei o que escuto,
Outras vezes não sei o que fazer com o que escuto,
Porque nessas vezes, no fundo, eu não sei o que escuto:
eu falhei?
Ver a mim, não tão prazerosa.
Falar comigo, não tão curiosa.
Escutar a mim, não tão talentosa.
Escrevo estas palavras para meu filho. Como é difícil quebrar em mim o vício cultural do mandar, como é custoso verdadeiramente escutar a mim, a ele e as crianças. Eu tento escutar cada vez mais. E isso eu lhes desejo. Anseio que as crianças cresçam sendo mais respeitadas, bem mais criadas (do que bem-educadas), porque assim serão mais naturalmente éticas. Afinal ética se faz de dentro para fora. O inverso é cópia...

Fernanda Matos
http://www.terceiromilenionline.com.br/99/escutar.php

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