quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Prazer x O dever de Estudar


Foi-se o tempo, que os adultos tinham como motivação principal no trabalho, o ganho exclusivamente financeiro...
Foi-se o tempo, que as crianças tinham como motivação principal na escola, o ganho de notas altas e estrelinhas douradas nos boletins...
Ilusão ou realidade?
Este é um acontecimento globalizado ou apenas uma minoria de pessoas investe no bem viver, no inserir os próprios sonhos em seu cotidiano? Para que servem os programas de qualificação profissional e empresarial? Para que serve todo o desenvolvimento tecnológico se o mesmo não é utilizado em prol da vida? Para que servem as melhorias de espaço físico, de recursos humanos, de materiais e metodologia nas escolas se não for associado à qualidade de desenvolvimento infantil?
Vê-se que nas melhores escolas apesar destas conquistas, ainda falta algo, que vai para além dos ganhos coletivos e concretos, algo que concilie as características individuais e permita aflorar habilidades específicas... Algo determinante na vivência do prazer ou do dever de estudar. Que os estudos são obrigações da infância não há dúvidas. No entanto, as expectativas dos adultos em relação às crianças, para que elas adquiram favoráveis gostos pelos deveres, parecem sonhos distantes, difíceis e raros. É bem mais comum escutar falas parentais como: “Meu filho não suporta estudar... Minha filha é preguiçosa... Fulano é malandro...” E na melhor das vezes: “Meu filho só tira notas altas”... Pouco se escuta sobre a diversão, a espontaneidade, a liberdade do aprender.
Tive, recentemente, a oportunidade de observar a mudança de atitude de uma criança que foi acompanhada de perto e estimulada de maneira diferente do resto de sua turma. Antes, quando somada (massificadamente) ao todo da classe, tendo as tarefas sugeridas de forma geral, apresentava-se desinteressada e escorregadia diante dos deveres e, por ser uma criatura com muita energia, estava constantemente dispersa e atrapalhando as aulas. Após a integração de uma das suas aptidões natas, a fotografia, associada com o estímulo de estudos em campo, onde andou (usou da sua energia corporal), conheceu lugares e pessoas (empregou sua curiosidade), conversou com elas sempre focada no tema do dever (questionou, criticou e escutou outras opiniões e vivências), a transformação foi nítida: Solicitude, Boa Vontade, Concentração, Zelo e o Querer.
É claro que essa criança não se contenta mais com uma aprendizagem padronizada, apesar de se adaptar a essa melhor do que antes, pois além de sentir as limitações da escola e professores, ela reconheceu em si as próprias possibilidades internas e potencialidades criativas, e conheceu o caminho de como usá-las.
Que o ambiente de casa permaneça atento e disponível a fim de acompanhá-la, encorajá-la e incentivá-la a estudar e a trabalhar com as próprias capacidades e dons, em nome do Prazer e do Bem Viver!
Que o ambiente escolar permaneça em crescimento acoplando às vitórias cognitivas e intelectuais, as particularidades de cada estudante, ampliando a noção do dever, de ter dívidas, ter obrigações, ter responsabilidade, para àquele que tem condições sociais, físicas e emocionais de Querer se comprometer à aprender, com Prazer!

Fernanda Matos
http://www.terceiromilenionline.com.br/103/matos.php

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