domingo, 10 de julho de 2011

Os Livros Infantis


Não sei se é indignação, preocupação, ou excesso de preciosismo, mas tenho ficado muito incomodada com alguns dos livros infantis ofertados às nossas crianças, nas livrarias, nas escolas, em casa...
Sei e já foi dito em outro artigo, que o mundo da criança passou a existir nos fins do século XVII, início do século XVIII. Antes, a criança era vista como um ser com “defeito”, um adulto incapaz... Sei também que os livros infantis nasceram nesta época, a partir dos primeiros livros de adultos, que tiveram em suas capas, as primeiras ilustrações. Ilustrações que despertaram o olhar curioso das crianças e, ao mesmo tempo, de alguns escritores observadores da falta de livros ofertados ao público infantil. Escritores que transcreveram as histórias orais contadas nas rodas, onde estavam todos misturados adultos e crianças, sem discriminação de quais histórias seriam as mais indicadas à infância.
Sei que as escolas nascem da necessidade do adulto em preparar uma criança para se tornar “o melhor ser humano” possível, dentro dos valores religiosos e monárquicos. E os livros não conseguiram escapar desse antigo, clássico objetivo. Então, assim como as escolas, os livros foram produzidos para, além de registrar as tradições orais, comunicar as boas maneiras, a moral, de uma cultura, de uma época. Arrisco dizer, que em alguns casos, formar opiniões facilmente manipuláveis pelos detentores do poder.
Sei que as transformações verdadeiras acontecem lenta e gradativamente e que, portanto, há ainda os resquícios da desconsideração de uma fase do desenvolvimento humano que tanto precisa de respeito e cuidados, a infância (incluo também nesta afirmação a adolescência). Logo, não deveria me espantar com a continuação da produção de livros infantis que, uma vez escritos por adultos, descrevem fatos, pensamentos e sentimentos, na perspectiva moralista e educacional adulta.
Sei também que é vendido como um excelente hábito a leitura cotidiana. E que as escolas apoiadoras desta boa conduta estão se empenhando em projetos que incentivam as crianças a lerem. Sei que têm pais que oferecem livros aos seus filhos. Sei que ler é mais do que um bom valor, é para mim um prazer, uma diversão, uma viagem no tempo, pelos lugares, um conhecer de várias personagens, ou de ao menos um ser, o autor, até por isso, quase nenhum livro que leio sai de minhas mãos em branco. Escrevo nele, faço perguntas, registro minhas idéias, é sempre uma grande prazerosa conversa.
O que não sei é se a forma como escrevemos os livros e os lemos ou damos para nossas crianças lerem está eficiente, alcançando a real intenção, de mais que criar um hábito, transmitir o prazer em ler. Por que sei que muitos trocam seus livros pelos computadores, pelos jogos eletrônicos, pela televisão, e com esta afirmação, não estou fazendo nenhuma crítica a estes outros meios de comunicação. Não agora. O que estou efetivamente preocupada é se as crianças percebem que os livros não são ou são verdadeiramente feito para elas, na linguagem delas: a aventura, o lúdico, a fantasia, a concreta e natural permissividade da coexistência do bem e do mal. Porque existem sim os livros feitos para o mundo infantil, com a simples e desinteressada finalidade de DIVERSÃO! Então, pais e educadores, fiquemos atentos às nossas escolhas literárias...

Fernanda Matos
http://www.terceiromilenionline.com.br/110/livros_infantis.php

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