sábado, 10 de setembro de 2011

Quantidade X Qualidade


Quem já não escutou essa frase: melhor ter mais qualidade do que ter quantidade? Aplicada na relação com os filhos, melhor estar menos com eles, porém, com qualidade, do que ficar muito tempo, mas sem poder lhes oferecer boas coisas, bons estudos, boas emoções...
Pois então, não é direta a avaliação desta hipótese, porque depende da conceituação de quantidade e qualidade, que a princípio, é subjetiva, mas se transforma em uma máxima, ao ser divulgada para toda uma cultura. É, porque é variada a divulgação nos meios de comunicação sobre este tema, afirmando verdades que precisam ser relativizadas.
Certo é que esta demanda é algo atual e contextual. As mulheres antigamente não trabalhavam fora de casa, assim não tinham essa preocupação (falo das mulheres, por serem necessárias na amamentação, por exemplo, ou porque na primeira infância, a necessidade maior de uma criança é a relação com o mundo matriarcal, da natureza, da nutrição, do colo, que alguns homens hoje até desejam participar). Mas não quero dizer com isso, que antes a criação era melhor, apenas porque as mães estavam integralmente em seus lares. Apenas, quero tentar distinguir “quantidade e qualidade”.
Ficar em casa o tempo todo significa ter tempo em quantidade para os filhos, podendo alcançar ou não relacionamentos qualitativos. Ficar fora de casa parte do tempo, sugere necessariamente uma quantidade menor de tempo na relação com os filhos, podendo também, alcançar ou não a tal qualidade. Fato é, e não tem como negar, que é ao longo de uma manhã, tarde, dia, semana ou anos, que as coisas acontecem simplesmente.
Um bebê oferta seu primeiro sorriso em qualquer momento, sem hora marcada. Um bebê dá seus primeiros passos, os primeiros dos primeiros, num instante, sem hora marcada. Uma criança descobre uma formiga, uma flor, uma dor, um movimento corporal em si mesma, algo engraçado, sem hora marcada. A vida é espontânea não tem hora marcada para acontecer. Vai se desabrochando ao longo do dia e dos dias, livre, sem esperar pelo outro, que chegará do trabalho. E mesmo que ao chegar do trabalho, os pais dêem atenção aos filhos, a primeira dor da primeira queda pode ter ocorrido e eles não terem ali estado, e perdido o momento de acolher a dor, ofertando o amor curador. Se outra pessoa fizer esse acolhimento, bom para a criança que recebe, mas sem dúvida receber dos pais é sempre melhor.
E é do melhor que se fala, quando se fala de qualidade. Estar com qualidade, independente do tempo, significa estar DISPONÍVEL. Estar disponível é escutar os filhos, acompanhá-los, seja através das brincadeiras, leituras, lições escolares, refeições, do levar ou buscar na escola, da troca dos cuidados pessoais, dos machucados lavados em lágrimas, água e sabão, da formiga, da cambalhota que saiu sem ser pensada... seja através dos papos trocados, dos valores de vida ensinados ou dos exemplos silenciosos, captados pelas crianças em seus processos imitativos ou selecionados inconscientemente. Estar DISPONÍVEL é CONTEMPLAR os filhos. Lamber a cria. ESCOLHER ser mãe e ser pai, incondicionalmente, pelos filhos, para os filhos e principalmente, para si mesmo! Porque ser mãe ou pai é necessário para si, quando se faz essa escolha.
Senão, melhor, mais qualidade de vida se terá, não escolhendo ser mãe, pai, ou ter filhos... É duro afirmar que ter filhos sem querer, gera conseqüências graves e inverdades como as que defendem melhor menos tempo com eles, mas com qualidade... Cuidemos com os auto-enganos. Porque criança não se engana, a gente que se engana que as engana... Reafirmo: a colocação da qualidade x quantidade precisa ser relativizada e analisada caso a caso. Não generalizemos!
É claro, que se a vida acontece espontaneamente e não há controle, faz-se necessário se entregar e acreditar nos caminhos que são trilhados passo a passo, com alegrias e conquistas, com tristezas e frustrações. Um filho seu é como você, do mundo. No mundo tudo pode acontecer. Mas até o filho estar pronto, nas mínimas e melhores condições, com qualidade, a responsabilidade está nas mãos dos pais e passa pela quantidade de tempo disponível que é oferecido. Se você não nasceu para criar filhos, mas os gerou, busque uma nova forma de ver a situação, com honestidade, liberdade, responsabilidade e criatividade, porque a vida é espontânea, surpreende nos detalhes, nos segundos do tempo, na quantidade e na qualidade do viver...

Fernanda  Matos
http://www.terceiromilenionline.com.br/112/quantidade_qualidade.php

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