quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nossos Lixos Internos


Como tema nas escolas e na vida o reciclar é palavra de ordem. Que bom! Afinal, o lixo não orgânico que produzimos, não pode ser simplesmente depositado, a espera de anos e anos, para ser reintroduzindo na cadeia produtiva da natureza. Aliás cadeia, ou aprisionamento, que estaríamos nos enfiando, se não fosse a criatividade e a disponibilidade em aproveitar o lixo seco, sem vida, resultante de nossas atividades contemporâneas, consumistas e tecnológicas.
E se a gente reaproveitasse essa onda de trabalhos de separação dos lixos para uma reflexão bem mais interior? Como uma metáfora... Como nas palavras da Tábua de Esmeralda de Hermes Trimestegisto, cantadas também por Jorge Ben Jour: O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma coisa única... E o que está fora (em cima) é o que está dentro (embaixo), tudo se transforma e tudo está unido...
Quais seriam os seus sentimentos ou emoções considerados lixos? Inveja, raiva, ciúmes, ódio, insegurança, ansiedade, birras, tristeza, angústia, medo... O que temos feito com esses sentimentos e ensinado sobre reutilizar esses lixos em casa e nas escolas? Estamos separando os lixos internos secos e orgânicos? É, porque os secos necessitam da criatividade para se transformarem... Os orgânicos, do tempo de decomposição realizado na nossa própria natureza, na essência do ser o que se é...
Quantas vezes não repetimos: Não chora não... A raiva não leva a lugar nenhum... Inveja é uma coisa feia... Ficar triste é perda de tempo... Controle sua ansiedade... Deixa de medo, enfrenta... Ciúmes é uma grande bobagem... Ódio só destrói...
Mas é isso! A destruição, enquanto decomposição ou transformação, faz parte do ciclo da vida e não podemos negar que esses ”lixos” vivem em nós. Tudo está unido numa dança de construção e destruição... De reaproveitamento e decomposição... O lixo quando bem manipulado, transforma-se em algo novo, um novo objeto ou em adubo para novas sementes da terra. Um novo sentimento, um novo reconhecimento de quem somos, o que desejamos...
Chega! Chega de entulharmos a raiva, o medo, a tristeza! Vamos reelaborar e nos reunirmos as nossas crianças, refletindo sobre o ”ruim” em nós que assusta a todos... Posso garantir, que susto maior é quando alguém chega no meu consultório e diz: “nunca pensei que não conseguiria resolver esses meus problemas sozinho... estou doente... estou um lixo...

Fernanda  Matos

Revista Terceiro Milênio - Novembro 2011
http://www.terceiromilenionline.com.br/artigos/nossos-lixos-internos

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