sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Educação é Fogo!




“Educação não é sobre encher um balde, é sobre acender um fogo”
William Yeats

De presente me caiu essa frase tão perfeitamente encaixada no que pensava escrever esse mês, que insisto em compartilhar. Venho abordando, nessa coluna Ser o que Se É, assuntos relativos à criação e educação infanto-juvenil, em casa e nas escolas, que possam promover a reflexão sobre o crescimento de nossas crianças e de nós mesmos, no sentido da manutenção do que há de autêntico em nossos seres.

Quanto mais criancinha, mais autenticidade é percebida. Os pequeninos, ainda não enquadrados em regras sociais, têm tiradas interessantes, engraçadas e até desconcertantes, que se tornam inesquecíveis e passam a compor certas características de sua personalidade, das quais seria repressivo demais, recalcá-las.

No entanto, a repressão ainda existe, os recalques acabam ocorrendo mesmo, principalmente no processo de adaptação social, infelizmente. Felizmente, os fatos, sentimentos, e/ou pensamentos recalcados não morrem, mas se escondem por um tempo, para se revelarem em outro momento. Sejam acontecimentos bons ou ruins, são como uma foto antiga guardada na caixa de sapato, lá no fundo do armário, à espera de uma boa limpeza e reorganização.

Na minha caixa de sapato guardei, anos à fio, o desejo de pintar em aquarela. Lá encontrei os dois primeiros fascículos de uma coleção, folheada aos oito anos, na intenção de obter a técnica dali. O que aprendi, na verdade,  foi sobre a frustração de não possuir nem tintas, nem papéis específicos para aquarela, que pudessem me auxiliar na reprodução do que as páginas diziam.  Aprendi erroneamente, também, que eu não possuía nenhuma habilidade artística.

Segui o caminho menos artístico e mais técnico, ofertado pela sociedade tradicional, de uma carreira aparentemente mais “ajustada” como a engenharia. Desenhei paredes e tubulações com nankin, depois no autocad. Linhas retas, com objetivos concretos. Nesse tempo, a arte ficou muito distante de mim, no fundo do meu armário. De vez em quando ela gritava, sentindo vontade de respirar, foi quando a engenharia passou a me frustrar.

Para respirar fui parar na psicologia, de paciente à analista, compreendi em mim e junto a tantos que comigo estão, a arte de viver. De respiro à inspiração, encontrei minhas fotos recalcadas, palavras poetizadas e imagens latejando para serem fotografadas e pintadas. Isso mesmo, pintadas!

No início de janeiro de 2012, sem poder viajar de férias, resolvi viajar sem sair da cidade, viajar no tempo e limpar uma antiga e enganosa impressão: Eu posso sim também ser aquarelista! Senti desde a primeira aula, com minha querida professora, o fogo se acendendo entre os pigmentos, pinceis, papeis e água... o fogo da minha criança que tanto ouviu não para o que não poderia nunca morrer... o fogo da minha caixa-alma, em brasa, a espera, do momento certo para dançar.

Que em 2012, possamos experimentar crescer não como uma folha em branco a espera dos ditados externos, mas como uma chama, que sussurra, que grita, que clama, que chama por nossas características essenciais, afinal, parafraseando Willian Yeats, aprender não é encher um saco, mas acender um coração.


Fernanda Matos

Revista Terceiro Milênio

http://www.terceiromilenionline.com.br/artigos/educacao-e-fogo-“educacao-nao-e-sobre-encher-um-balde-e-sobre-acender-um-fogo-educacao-e-fogo-“educacao-nao-e-sobre-encher-um-balde-e-sobre-acender-um-fogo

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