domingo, 10 de junho de 2012

Invisibilidade e Invasibilidade na Internet



Não há dúvidas que ampliar o processo de comunicação entre as pessoas é algo benéfico, que soma informações e cultura. Também, não duvido que poder realizar essas trocas de conhecimentos de maneira imediata, on line, nutre a curiosidade que coça as mãos. Não posso negar a relevância dos meios tecnológicos que promovem o encontro com o outro e com o saber. E longe de mim, criticar os benefícios de tais possibilidades, apenas por criticar.

No entanto, tudo na vida tem dois lados. Os jornais, revistas, blogs, sites, televisão alarmam aos cuidadores e clamam por proteção das crianças e jovens, para que elas usufruam apenas o que há de bom nessa nossa era tecnológica, evitando as várias formas de violências que podem ser geradas pelas redes do mundo da internet.

Da pedofilia ao incentivo de grupos radicais de violência e guerra... dos modismos doentios e venerações corporais e sexuais distorcidas... de acontecimentos extremos que influenciam negativamente o desenvolvimento saudável do ser. A mídia tem falado muito disso. Do que há de invisível do outro lado da tela do computador e que pode se tornar invasivo à personalidade em desenvolvimento.

Menos perigoso, no sentido imediato da palavra, mas não no sentido indireto é a forma como se usa os meios digitais. A virtualidade entra na casa e na escola e discretamente pode vir a distorcer o significado do existir. Como se o existir não precisasse de olhos nos olhos, de toques de mãos, de abraços apertados, de conversas sinceras e duras frente a frente.

A espontaneidade e a impulsividade substituídas pelo tempo do teclar. As falsas informações que viram ilusões de verdades. A recriação de desejos inconscientes vivenciados numa segunda vida inventada, forjada e pensada à distância. A disponibilidade virtual que não tem horário e nem descanso, entrando quase sem limites dia a dia, hora a hora, em nossas vidas.

É preciso limitar, discernir, orientar, acompanhar, de forma transparente e negociada com as crianças e adolescentes, a vivencia dos mesmos nas redes sociais. Compreender os jogos sutis e explicitar as consequências destes. Conferir os valores individuais dentro do coletivo invisível. Colocar o implícito na mesa junto dos teclados e promover olhares críticos. Promover encontros ao vivo e a cores, porque se somos também corpo e matéria, os relacionamentos necessitam ser materializados, encarnadas, tocados, sentidos cara a cara.

Para finalizar, deixo uma reflexão: Antes não havendo celulares ou internet ou GPS ou sei lá mais o quê, era preciso confiar nos filhos e cônjuges e no universo mais bondoso do que mal. Hoje, sabendo que a maldade é maior, ou mais aparente, precisamos cuidar para não misturarmos proteção com superproteção ou manipulação. “Notícia ruim chega logo”, essa é uma máxima inesquecível. Entreguemos mais e manipulemos menos. Sejamos sinceros, porque a fronteira do cuidar, do trocar, do conhecer com a do dominar, do engendrar, do disfarçar pode ser metafísica, metapsíquica, delgada...

Fernanda Matos

Revista Terceiro Milênio
http://www.terceiromilenionline.com.br/artigos/invisibilidade-e-invasibilidade-na-internet

Nenhum comentário:

Postar um comentário